Quebra de asa é o tema da live desta semana com Chico da Boleia

A “brincadeira” pode custar caro por provocar dano aos caminhões e, mais grave ainda, por colocar em risco a vida dos motoristas e outros condutores. (Foto: divulgação)

Quebra de asa é o tema da live desta semana com Chico da Boleia

Jornalista conversou com especialistas sobre a manobra polêmica que provoca danos graves nos caminhões

O tema da live desta terça-feira (24), com o Chico da Boleia, foi a quebra de asa. Para esclarecer questões ligadas ao tema, o jornalista entrevistou dois especialistas – que atuam na concessionária Irmãos Davoli – Fernando Henrique da Cruz e Valdecir Bergamo.

Para quem não sabe, a quebra de asa é uma manobra que alguns motoristas de caminhão costumam fazer, que consiste em balançar a carroceria de um lado para o outro, tirando as rodas da pista e contorcendo o eixo do veículo. A “brincadeira” pode custar caro por provocar dano aos caminhões e, mais grave ainda, por colocar em risco a vida dos motoristas e outros condutores.

Chico explica que a manobra é popular, principalmente entre o público jovem, que costuma filmar e postar os vídeos em plataformas, como o Youtube. “Existem ainda pontos em certas rodovias que o pessoal se prepara para realizar a quebra de asa e registrar”.

– O efeito que a manobra provoca, ao levantar as rodas do chão, da parte da carreta, pode danificar o chassi, a estrutura da carroceria, a carga do veículo, sem contar que pode acontecer um capotamento – destaca Valdecir.

Segundo Fernando, na parte técnica, quando se trata de uma carreta, quando é realizado o movimento força-se o pino rei – de engate da quinta roda – podendo haver trinca ou empenamento da peça, até mesmo danificar a estrutura da quinta roda, provocando prejuízo para empresa, além de desgastar os pneus.

Estima-se que os danos mecânicos causados pela manobra podem custar, em média, R$ 20 mil, sem que haja capotamento. Além disso, a empresa sofre outros prejuízos ao ficar com um veículo parado, sem poder circular até que o conserto seja realizado.

– Não é possível identificar que um motorista tenha feito a quebra de asa durante a inspeção do veículo, a não ser que haja um dano. O que as empresas estão fazendo hoje em dia é instalar câmeras nos caminhões, que registram em tempo real o trajeto do veículo – destaca Fernando.

Questionado sobre o rastreador com telemetria, Valdecir esclarece que o equipamento é capaz de identificar a quebra de asa, já que foca no motorista o tempo inteiro e, qualquer movimento brusco dentro da cabine do caminhão é registrado. “Essa ferramenta capta tudo que o motorista faz ali, é uma espécie de ‘caixa preta’. E toda informação vai direto para o computador da empresa, onde as imagens e conversas serão analisadas”.

Durante o bate-papo, os entrevistados também ressaltaram os problemas mais comuns identificados nos caminhões no dia a dia, na oficina da concessionária. Lembrando que tanto Fernando (formado em técnico em diagnósticos pela Mercedes-Benz) e Valdecir (gerente de serviço em oficina mecânica) são especialistas, com anos de atuação na área.

– Um problema recorrente que temos encontrado é com o Arla (Agente Redutor Líquido de óxidos de nitrogênio Automotivo) do caminhão. Para quem não conhece, o Arla é um produto que vai dentro de um tanque – com 32% de uréia e o restante de água – e cada vez que o sistema necessita, ele injeta a substância dentro do catalisador do veículo. E alguns dos fatores relacionados aos problemas provocados pela solução são devido a sua baixa qualidade, e também pela manutenção indevida – explica Valdecir.

Questionado sobre as impurezas acumuladas no tanque de combustível, quando não é feita a limpeza regularmente, Fernando conta que, hoje em dia, existem produtos de tratamento que são colocados diretamente no tanque que, ao ser misturado no diesel, o próprio motor queima os resíduos.

Os especialistas ainda ressaltaram as mudanças na mecânica dos caminhões e da especialização necessária para realizar a manutenção nos veículos. Também explicaram as adaptações tecnológicas identificadas nos veículos para atender as demandas atuais do setor de transporte, estradas e clima brasileiro.

Para saber mais sobre o tema, confira a entrevista completa no canal do Chico da Boleia no Youtube.

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