Dólar já encarece o pãozinho e defasagem da gasolina preocupa

Reajuste do combustível teria impacto de 0,73 ponto percentual na inflação O repasse da alta do dólar para a inflação preocupa economistas, num momento em que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está perto do teto da meta do governo em doze meses. Um possível reajuste da gasolina, porém, é um alerta ainda maior, já que seu impacto seria imediato. Em julho, o IPCA acumulado em 12 meses foi de 6,27%, já com influência do dólar no trigo, no pão francês e em turismo, segundo o IBGE. O pãozinho subiu 0,68% no mês passado e já acumula alta de 6,1% este ano, influenciado também pela quebra de safra na Argentina. Com a recente alta do dólar, a estimativa do banco Brasil Plural é de que o preço da gasolina vendida pela Petrobras às refinarias está defasado em 33% em relação ao mercado internacional. Se esta defasagem for repassada integralmente, a projeção é de uma alta de 19% da gasolina na bomba e de um impacto de 0,73 ponto percentual na inflação. – O peso da gasolina é grande no IPCA, de 3,9%. Nossa projeção para a inflação é de 5,8% em 2013 e 6,2% em 2014. Mas isso não inclui nenhum reajuste de gasolina – afirma Priscilla Burity, economista do Brasil Plural. Estudo do banco aponta que o repasse da alta do dólar para a inflação fica entre 4,9% e 6,8% da variação na moeda americana. Ou seja, se o dólar sobe 10%, esse efeito fica entre 0,49 e 0,68 ponto percentual, com seu ponto máximo entre três a cinco trimestres após a valorização. – Como o dólar já subiu 15%, isso significa uma alta de 0,75 ponto percentual nos próximos trimestres – diz Priscilla. Para o economista da Rosenberg & Associados, Fernando Parmagnani, a alta do dólar vai aparecer de forma mais intensa na inflação de setembro. ( Lucianne Carneiro )

O Globo 

Comentarios