Depois da tragédia, a ação!

Olá amigos!

Peço a permissão de vocês para publicar neste espaço algumas reflexões que tenho feito durante essa semana, depois da tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria. O incêndio que começou na madrugada de sábado para domingo foi causado pela utilização de um objeto pirotécnico. As faíscas lançadas pelo aparato atingiram o revestimento acústico do teto que, em poucos segundos, queimou e soltou gases tóxicos. O resultado final foi a confirmação de 235 mortes (até agora), muita tristeza, luto nacional e comoção de parentes, amigos e estudantes ligados às vítimas.

O incêndio colocou em xeque a real eficácia das leis que regulamentam os alvarás concedidos às casas noturnas e a fiscalização de equipamentos de segurança nesses locais. O que se pode perceber com toda a discussão é que ainda estamos muito longe do ideal: leis desencontradas, fiscalização ineficiente, falta de responsabilidade dos administradores desses locais e desconhecimento da população em relação ao tema.

Durante toda a semana prefeituras começaram operações para fiscalizar casas noturnas, cinemas e outros espaços de grande aglomeração a fim de identificar possíveis irregularidades. Em São Paulo e Salvador foi uma verdadeira “caça as bruxas”, realizada em bares e casas noturnas.

Não sou contra a fiscalização e a punição daqueles que não cumprem as regras, mas acreditar que o problema relacionado à esta questão está só com os administradores desses locais é ser, no mínimo, ingênuo. Todos nós sabemos das dificuldades impostas para a retirada de um alvará. Todos nós conhecemos os processos ilícitos que giram em torno da concessão de autorização de funcionamento de espaços como bares, casas noturnas, restaurantes, etc. E todos nós sabemos o quanto é fraca a fiscalização desse país.

Fazendo um paralelo bastante simples: que caminhoneiro nunca se deparou com uma “fiscalização duvidosa” nas rodovias? Quem nunca foi alvo de uma proposta de suborno? A corrupção está imbricada em todos os setores da nossa vida social, econômica e cultural. Apenas penalizar quem não cumpre as leis, não é suficiente.

É preciso toda uma educação em relação ao cumprimento das regras, já que os brasileiros tem um costume culturalmente inserido no seu dia a dia de impor resistências ao cumprimento de leis e normas. A maioria sempre tentar dar um “jeitinho”, apelar para a “malandragem”.

Acontece que não cumprir normas simples pode ter efeitos desastrosos, como a tragédia de Santa Maria. Um extintor que não funciona, um aparato pirotécnico, uma forração inadequada, uma porta que não abre, uma norma descumprida. Essa é a “receita” para a catástrofe e para o trauma de toda uma sociedade.

É mais do que necessário que os brasileiros comecem a entender que normas foram estabelecidas para serem cumpridas. Que regras precisam ser seguidas e que a fiscalização precisa ser efetiva na hora de penalizar infratores. Mais do que isso, está na hora do brasileiro entender que ele não está imune à acontecimentos como o de Santa Maria e que não existe outro remédio para tragédias desse tipo, senão a prevenção.

O cuidado com a vida alheia parece passar longe das preocupações da maioria dos brasileiros, principalmente daqueles que atuam no poder público. Deixo aqui meus sentimentos a todas as vítimas de Santa Maria. E deixo pública também a minha esperança de que todos nós brasileiros comecemos a dar mais importância à prevenção e ao cuidado com nossas próprias vidas.

Abraço do Chapa!

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