Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões discute infraestrutura rodoviária.

Entre os dias 12 e 14 de agosto, a cidade de Santos, litoral de São Paulo, recebeu a 8a edição do Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões, organizado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias. No Mendes Convention Center também aconteceu a 8ª Exposição Internacional de Produtos para Rodovias – BRASVIAS.

Através de uma parceria firmada entre a ABCR e a International Society for Weigh-in-Motion (ISWIM), o Congresso contou com a presença de especialistas estrangeiros, em duas sessões plenárias. Com a temática “Infraestrutura Rodoviária: desafios institucionais e tecnológicos”, os palestrantes abordaram  aspectos relacionados com qualidade e segurança viária, sistemas inteligentes de transporte e questões sociais, ambientais e econômicos das rodovias.

Para a organização do evento, a importância do CBR&C no contexto internacional é reflexo da relevância do Programa Brasileiro de Concessão de Rodovias e pode ser medida pela confirmação da presença de palestrantes da área de transportes de países como Estados Unidos, França, Austrália e China.

Durante os dois dias de apresentações, foram discutidos temas como a regulamentação do setor, possibilidades de Parcerias Público-Privadas – PPPs, aspectos da gestão pública e privada, entre outros. Quanto à abordagem tecnológica, houve a discussão de assuntos que se referem à modernização das rodovias, as diversas tecnologias aplicadas na preparação do asfalto, na melhoria da sinalização e na cobrança eletrônica de pedágio.

Cerimônia de abertura

Na abertura do CBR&C, o presidente da ABCR, Moacyr Duarte, fez um balanço das concessões e avaliou desafios que o setor enfrenta ainda hoje.  Para ele, as informações debatidas durante o Congresso colaboram para um avanço no desenvolvimento tecnológico e operacional das rodovias do país.

Duarte ainda frisou as diferenças que o cenário nacional atual apresenta em relação ao passado, quando a ABCR foi criada. “Como em outros países, a infraestrutura rodoviária brasileira expandiu-se continuamente entre 1940 e 1980. Com isso, acompanhou o crescimento da frota e da mobilidade sobre pneus”, expressou o Presidente.

No entanto, de acordo com Moacyr, o cenário nacional ainda apresenta problemas antigos, como o de fundos para investimentos em rodovias e infraestrutura. Mesmo com o estímulo à produção de estudos e trabalhos técnicos sobre esses temas é visível que ainda existam grandes desafios para a continuidade da melhoria na infraestrutura de transportes.

“O principal deles é consolidar a aceitação pela sociedade e pelos políticos de que a cobrança pelo uso é a melhor forma de financiar a infraestrutura rodoviária. Esta  alternativa  vem sendo adotada em mais de 70 países dos cinco continentes, como mostra o Relatório Anual da ABCR de 2012. A cobrança direta do usuário da rodovia, mediante a tarifa de pedágio, tem base justa e lógica. Só paga quem usa. Apesar disso, a alternativa é contestada. Vale notar que ninguém discute ou se recusa a pagar a tarifa cobrada pelo uso do aeroporto quando viaja de avião”, avaliou o Presidente da ABCR que está deixando o cargo depois de 17 anos.

 Moacyr ainda salientou que é necessário investir fortemente na manutenção das rodovias e na continuidade do desenvolvimento mesmo em pistas já estruturadas. Dessa forma, a longo prazo esses investimentos podem resultar no chamado free flow, sistema de livre rodagem no qual os usuários pagam somente pelo que percorreram.

“Sob o aspecto tecnológico, como discutimos nos três últimos congressos, não há maiores obstáculos para o free flow. A experiência internacional e testes realizados no Estado de São Paulo comprovam isto. A cobrança sem barreiras traz duas mudanças muito positivas para as rodovias pedagiadas. A primeira é de caráter psicológico. Com o fim das praças de pedágio, deixa de existir um dos fatores de resistência. A segunda mudança é tornar mais justa a cobrança, cada um pagando pelo trecho que percorreu. Isto aumenta a base de pagantes e diminui a tarifa”, explicou Moacyr durante a abertura do Congresso.

Outro destaque na abertura do 8º CBR&C foi a palestra de Roberto DaMatta. O antropólogo, autor de “Fé em Deus e pé na tábua” (Editora Rocco), traçou um paralelo entre a cultura escravocrata presente em nosso inconsciente coletivo e o modo como os motoristas brasileiros guiam seus carros.

Para exemplificar seu argumento, DaMatta fez uma comparação entre a agressividade de motoristas e o comportamento de Carlota Joaquina, rainha de Portugal vinda para o Brasil com a corte portuguesa em 1808, que dirigia sua carruagem de forma agressiva pelas ruas do Rio de Janeiro, praticamente passando por cima dos súditos que, ainda assim, tinham de reverenciá-la. “O mesmo comportamento tem o motorista brasileiro. Para ele, a rua não pertence ao cidadão; a rua pertence ao motorista”, analisou o antropólogo.

Outra característica questionada pelo antropólogo é a dificuldade dos motoristas brasileiros em geral, de obedecerem às regras de trânsito. “Obedecer às regras no Brasil é um sinal de inferioridade. Ser correto é ser considerado bobo”, completou DaMatta.

Para ele, frases como “Mais Amor Por favor” e “Mais amor nesse motor”, vistas durante os protestos de junho, em São Paulo, instauram uma espécie de novo paradigma para o trânsito brasileiro e impõe a necessidade de rever o nosso comportamento no trânsito.

Roberto DaMatta afirmou que é preciso pensar em um novo modelo de trânsito que privilegie o coletivo e tente promover a empatia entre motoristas e pedestres. “Usa-se o carro, com seus 400 cavalos, como uma arma, personaliza-se o automóvel, como uma extensão da pessoa”, destacou DaMatta, que acredita no investimento em educação como a melhor maneira de reduzir os impactos desse problema.

 Alternativas sustentáveis

Durante o primeiro dia de palestras técnicas do Congresso, as apresentações abordaram também as principais experiências das concessionárias em relação às ações de sustentabilidade. O Grupo EcoRodovias, por exemplo, apresentou soluções como a criação de metas para a  redução de emissões de poluentes, o investimento em campanhas de conscientização, as parcerias com cooperativas de reciclagem, as campanhas de saúde para motoristas, as ações de combate à exploração infantil e de inclusão social.

O gestor de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Grupo CCR, Gilberto Souza Pinheiro, apresentou o projeto Estrada Sustentável – lançado pela empresa na Conferência Rio + 20, em junho do ano passado – e que tem a participação de mais de 800 pessoas de diferentes setores da sociedade, característica apontada como um dos pontos fortes do trabalho.

Segundo Pinheiro, a rodovia é afetada por vários “atores”, que devem ser ouvidos e, principalmente, fazer parte das ações de sustentabilidade implantadas pelo grupo. “Após alguns encontros temáticos, com palestras e discussões, são fechados os grupos que implementarão as atividades em áreas como a segurança viária, educação, infraestrutura verde, empreendedorismo e economia local”, explicou Pinheiro.

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa CBRC

Redação Chico da Boleia

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