Greve dos Caminhoneiros: Oportunismo? Golpe? Irresponsabilidade? Ou tudo junto?

Em primeiro lugar tenho que colocar que o recurso da GREVE é um direito de toda e qualquer categoria profissional! Qualquer trabalhador organizado pode utilizar deste recurso para reivindicar seus direitos quando o diálogo acaba. Justamente por isso tem que ter muita responsabilidade ao usar este mecanismo.
Nós CAMINHONEIROS E CARRETEIROS AUTÔNOMOS em números de 2007 somávamos em torno de 850.000 companheiros espalhados por este Brasil. É importante colocar este dado, pois existe o companheiro que é caminhoneiro, mas está no regime CLT, carteira assinada, férias e 13ª, mas que quando pega estrada está sujeito aos mesmos problemas que nós autônomos temos. A paralização foi convocada pelo MUBC (Movimento União Brasil Caminhoneiro). O que li até agora escrito pelo MUBC ou os sindicatos a eles filiados é que o grande motivo para este movimento é o pagamento eletrônico do frete, ou seja, o fim da famigerada carta frete.
É incrível imaginar que uma entidade sindical possa se opor ao fim da carta frete, já que eu rodando o Brasil não achei um caminhoneiro que fosse contra essa medida. Mas vamos analisar a paralização, como já mencionei a categoria de autônomos tem, pelo menos, 850.000 profissionais. É no mínimo estranho este movimento que se arroga o direito de falar em nome do caminhoneiro, não ter o apoio de outras entidades. O MUBC tem que ter mais responsabilidade, pois uma categoria com esta envergadura e com este numero de profissionais, não pode se achar dona da verdade e espalhar uma falsa ideia para que companheiros que estão no dia a dia da estrada sejam levados ao erro, e jogando um importante meio de luta no descrédito.
O fim da CARTA FRETE é uma conquista histórica dos CAMINHONEIROS e CARRETEIROS AUTÔNOMOS. Com o fim deste instrumento informal de pagamento a categoria conquistou sua liberdade, pois tem o direito de escolher onde e quando abastecer, sem que ter que pagar o ágio. Alguns devem estar arregalando os olhos, mas para abastecer com a carta frete, almoçar ou mesmo pegar algum numerário, sempre se cobrou o ágio, com raríssimas exceções. Daí a minha estranheza em uma entidade ser contrária ao fim da carta frete. Se existem problemas na aplicação da lei, ou se existem setores minoritários que estão tentando transformar o autônomo em pessoa jurídica para escapar do PEF é um caso para fiscalização. Outros pontos da pauta do MUBC são nebulosos.
Companheiros do trecho vejam outras entidades que representam nossa categoria: a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, o SINDICAM-SP, a UNICAM, o SINDICAM-PR, a APROCAM BRASIL, FENACAM – Federação dos Caminhoneiros Autônomos, FETRABENS – Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado de São Paulo, FECONE – Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Nordeste, CGTB – Central Geral dos Trabalhadores do Brasil.

Sindicatos

PARANÁ: SINDICAM-PR, SINDICAM-CASCAVEL, SINDICAM-LONDRINA, SINDICAM-MARINGÁ, SINDICAM-PARANAGUÁ, SINDICAM-PATO BRANCO.

MINAS GERAIS: SINDICAM-MG, SINDICAM-BETIM, SINDICAM-ITAUNA, SINDICAM – LAJINHA, SINDICAM-MONTE CARMELO, SINDICAM-TEÓFILO OTONI.

GOIÁS:  SINDICAM-GO; MATO GROSSO DO SUL: SINDICAM-MS, SINDICAM-DOURADOS, SINDICAM-SONORA.

MATO GROSSO:  SINDICAM-MT, SINDICAM-CANARÃNA, SINDICAM-SORRISO, SINDICAM-TANGARÁ DA SERRA.

ESPIRITO SANTO:  SINDICAM-ES

PERNAMBUCO:  SINDICAM-PERNAMBUCO, SINDICAM-RECIFE, SINTRACAPE (Porto de Suape), SINDICAM-CARUARU;

PARAÍBA: SINDICAM-PB, SINDICAM-CAMPINA GRANDE

BAHIA: SINDICAM-SALVADOR

CEARÁ: SINDICAM-CE

ALAGOAS: SINDICAM-AL

MARANHÃO: SINDICAM-MA

PARÁ: SINDICAM-PA

SERGIPE: SINDICAM-SE

RIO GRANDE DO NORTE: SINDICAM-RN

RIO GRANDE DO SUL: SINDITAC-IJUÍ.

Todas essas que citei, entre outras entidades sérias do setor SÃO CONTRÁRIAS A PARALIZAÇÃO. Sem dúvida sei que os valores pagos pelo frete são aquém das nossas necessidades. Temos em determinados Estados a cobrança extorsiva de pedágios. O preço do diesel é outro problema, a segurança e criminalidade nas rodovias são assustadoras, empresas de gerenciamento de risco que nos impedem de carregar pelo simples fato de termos uma restrição financeira, condições das rodovias, tempo de embarque e desembarque que atrasam em muito nossa vida, entre outros problemas do nosso dia a dia tem que ter prioridades nas discussões e organização do movimento.
É uma grande leviandade convocar uma paralização sem que isso reflita a totalidade das entidades que representam de alguma forma nós CAMINHONEIROS E CARRETEIROS. É preciso ter seriedade quando se fala em nome da nossa categoria. Muitos dos companheiros que estão no trecho são levados pela boa fé a aderir ao burburinho causado pelos boatos, mas o fato é que este movimento é isolado, e pode jogar nossa categoria no ridículo.
Companheiro pense nisso! Chamar uma greve apenas para atender sabe se lá o interesse de quem, sem o mínimo de organização, sem o mínimo de apoio, é errado e irresponsável.

Chico da Boleia
“Orgulho de ser Caminhoneiro”

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