“Crônicas de um Motorista”

Tania Rampim

Que tal começarmos a cutucar a onça com a vara curta? Sobre a má remuneração de salário que os motoristas sofrem no Brasil enquanto sustenta os quatros cantos mundo?

Como de costume todos os anos o governo promove reuniões que discutem a respeito das leis, dos salários, dos direitos dos motoristas e como serão as ditas as regras daqui para frente.

Em um passado não muito distante quando perguntávamos as crianças,

-O que você quer ser quando crescer?

Não eram raras as vezes em que ouvimos “Eu vou ser motorista de caminhão igual ao meu pai.” Para o orgulho dos pais ou continuar o Legado de Pai para Filho.

Mas nossa realidade agora é outra. Uma profissão mal remunerada, onde hoje, com cargas horárias abusivas, roubos e assaltos constantes, viagens cada vez mais longas onde as paradas para descansar são muito escassas, pois os lugares de descanso são muito mal conservados e perigosos e o retorno para casa depende muitas vezes se há cargas para sua cidade.

Onde estes motoristas, crianças daquele passado, hoje são maridos, filhos, mas, principalmente, pais e pais ausentes onde sequer acompanham o crescimento dos seus filhos de perto.

E no anseio de trabalhar perto de sua família procuram empresas de ônibus, usinas de açúcar e álcool, mineração, de serviços públicos ou ate mesmo terceirizados contratados pelas prefeituras, etc. Empresas estas que exigem uma capacitação maior dos motoristas como os cursos Moop, coletivo, munck, CNH e etc.

Entretanto, estes profissionais não são mais bem remunerados por isto. Pelo contrário, eles assumem maiores responsabilidades como o transporte de passageiros, cargas especiais, de veículos com excesso de cargas, veículos muitas vezes com manutenção precária, correndo risco de acidentes.

Até quando o diesel nas veias e o amor pela profissão nos manterão atrás do volante?Hoje sobram vagas no mercado para motoristas. Mas os motoristas de hoje, crianças daquele passado não muito distante, não querem mais que seus filhos se tornem novos motoristas. E se perguntarmos para as crianças de hoje “O que você vai ser quando crescer?” Certamente ouviremos bombeiro, policial, médico, etc. Crianças estas que sofrem com a ausência dos seus pais e muitas vezes com a falta de dinheiro para um brinquedo sonhado porque seus pais são motoristas mal remunerados.

Até quando o governo vai agir desse jeito com a má remuneração dos motoristas?

Até quando podemos aguentar?

Essas são perguntas que fazemos todos os dias pra nos mesmos e para nossos colegas de tapetão negro.

                                     “Fica a Dica Governo Dilma”

Tânia Rampim

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